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Como calcular o preço de venda de produto importado da China: do yuan ao checkout

17 min de leitura

Como calcular o preço de venda de produto importado da China: do yuan ao checkout

Você encontrou um produto na China por US$ 5 a unidade e ficou animado com a margem. Fez a conta rápida, multiplicou pelo câmbio, adicionou uns 30% e achou que estava no lucro. Três meses depois, o dinheiro sumiu e a operação não fecha. Isso acontece com a maioria dos importadores iniciantes — e com boa parte dos experientes que relaxam na precificação.

Calcular o preço de venda de produto importado não é multiplicação simples. É uma equação com pelo menos oito variáveis, e errar qualquer uma delas come a margem inteira. Este artigo vai te mostrar cada variável, com fórmula, alíquotas reais e simulação numérica completa. Se você quer importar da China e vender com lucro de verdade, este é o cálculo que você precisa dominar antes de fechar qualquer pedido.


1. O que entra no custo real do produto importado (FOB, seguro, frete, câmbio)

O custo real de um produto importado começa muito antes de ele chegar ao seu depósito. A maioria dos empreendedores vê apenas o preço unitário em dólares e ignora a cadeia de custos que transforma aquele valor inicial em algo bem diferente na chegada ao Brasil.

Vamos destrinchar cada componente do custo total de importação, na ordem em que eles aparecem na operação.

Preço FOB (Free On Board)

O preço FOB é o valor do produto colocado no porto de origem — no caso da China, geralmente Shenzhen, Guangzhou, Shanghai ou Ningbo. É o preço que o fornecedor declara, e é a base de quase tudo que vem depois. O FOB inclui o custo de fabricação, embalagem e transporte até o porto de embarque no país exportador. A partir do momento que a carga sobe no navio, a responsabilidade e os custos passam para o importador.

Quando você está negociando com fornecedores no JoomPro, os preços apresentados geralmente são preços ex-factory ou FOB. Vale confirmar sempre, porque a diferença entre ex-factory e FOB pode ser de US$ 0,20 a US$ 2,00 por unidade dependendo da localização da fábrica em relação ao porto.

Frete internacional

O frete marítimo da China para o Brasil varia conforme o volume (CBM — metro cúbico), o peso e a rota. Uma LCL (carga fracionada) típica fica entre US$ 8 e US$ 20 por CBM, mais taxas de origem e destino. Um FCL (contêiner completo) de 20 pés custa entre US$ 1.500 e US$ 4.000 dependendo do momento do mercado e da rota.

O frete aéreo é significativamente mais caro — entre US$ 4 e US$ 12 por kg, dependendo da companhia e do serviço — mas o prazo cai de 30-45 dias para 5-10 dias. Para produtos de alto valor e baixo peso, pode fazer sentido. Para a maioria dos produtos de consumo, não fecha a conta.

Seguro internacional

O seguro de carga internacional cobre perdas e danos durante o transporte. O custo varia entre 0,3% e 0,8% do valor CIF da mercadoria. CIF significa Cost, Insurance and Freight — é o valor FOB mais frete mais seguro. O seguro é obrigatório para fins de cálculo tributário no Brasil, mesmo que você decida não contratá-lo na prática (o que seria imprudente).

Câmbio e variação cambial

O câmbio é um dos maiores vilões da precificação de importados. Você fecha o pedido com dólar a R$ 5,20, a mercadoria demora 60 dias para chegar, e na hora do desembaraço o dólar está a R$ 5,70. Essa diferença de R$ 0,50 por dólar, em uma importação de US$ 50.000, representa R$ 25.000 a mais que você não tinha previsto.

A prática recomendada é sempre precificar com uma taxa de câmbio conservadora — pelo menos 5% a 10% acima da cotação do momento do pedido. Se o câmbio ficar estável, você ganha margem extra. Se subir, você está protegido.

Custos de despachante aduaneiro e armazenagem

O despachante aduaneiro é o profissional habilitado para realizar o desembaraço alfandegário da sua carga. O custo do serviço varia entre R$ 800 e R$ 3.000 por processo, dependendo da complexidade da operação, do porto e do regime tributário. Além disso, há custos de armazenagem no terminal alfandegário enquanto a carga aguarda o desembaraço — que podem chegar a R$ 500 a R$ 1.000 por dia em casos de atraso.

Taxas portuárias e de terminal

As taxas de terminal incluem THC (Terminal Handling Charge), ISPS, BL Fee, e outros encargos que variam por porto. Em Santos, por exemplo, essas taxas somadas podem representar entre R$ 1.500 e R$ 3.500 por contêiner de 20 pés. Para cargas LCL, o cálculo é proporcional ao volume.


2. Impostos de importação explicados (II, IPI, PIS, COFINS, ICMS) — com alíquotas reais

Aqui é onde a maioria peca por ignorância ou otimismo. Os impostos de importação no Brasil são calculados em cascata, o que significa que cada tributo incide sobre a base que inclui os anteriores. Entender essa cascata é fundamental para precificar corretamente.

Base de cálculo: o Valor Aduaneiro

Tudo começa pelo Valor Aduaneiro, que é calculado conforme o Acordo de Valoração Aduaneira do GATT/OMC e adotado pelo Brasil. O método principal (Método I) usa o valor da transação — o preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria. Na prática, o Valor Aduaneiro é o CIF em reais (valor FOB + frete internacional + seguro internacional, convertidos pela taxa de câmbio da data do registro da Declaração de Importação).

II — Imposto de Importação

O II é um tributo federal que incide sobre o Valor Aduaneiro. As alíquotas variam entre 0% e 35% dependendo da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) do produto. Para produtos eletrônicos de consumo, a alíquota típica é de 20%. Para brinquedos, 20%. Para calçados, 35%. Para máquinas industriais, pode ser 0% ou 2%.

Exemplo: Valor Aduaneiro = R$ 27.500 | II a 20% = R$ 5.500

IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados

O IPI incide sobre o Valor Aduaneiro acrescido do II. As alíquotas variam enormemente por categoria de produto. Produtos essenciais têm alíquota zero. Produtos eletrônicos ficam entre 5% e 30%. Bebidas alcoólicas chegam a 330%. Para o nosso exemplo vamos usar 15%.

Base do IPI: Valor Aduaneiro + II = R$ 27.500 + R$ 5.500 = R$ 33.000

IPI a 15%: R$ 4.950

PIS-Importação e COFINS-Importação

O PIS-Importação tem alíquota de 2,1% e a COFINS-Importação tem alíquota de 9,65% para a maioria dos produtos. Ambos incidem sobre o Valor Aduaneiro. Para alguns produtos, há alíquotas diferenciadas.

PIS a 2,1%: R$ 27.500 × 2,1% = R$ 577,50

COFINS a 9,65%: R$ 27.500 × 9,65% = R$ 2.653,75

Atenção: empresas do Simples Nacional recolhem PIS e COFINS de forma diferente (dentro do DAS), mas no momento da importação precisam recolher PIS-Importação e COFINS-Importação normalmente, independentemente do regime tributário.

ICMS — Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

O ICMS é o imposto estadual mais complexo do cálculo. Ele incide sobre a soma de tudo que veio antes: Valor Aduaneiro + II + IPI + PIS + COFINS + o próprio ICMS (sim, é calculado por dentro). A alíquota varia por estado. São Paulo usa 18% para a maioria dos produtos. Rio de Janeiro, 20%. Para fazer o cálculo correto, usa-se a seguinte fórmula:

ICMS = (VA + II + IPI + PIS + COFINS) ÷ (1 – alíquota ICMS) × alíquota ICMS

Onde VA = Valor Aduaneiro.

Com os números do exemplo (alíquota ICMS SP = 18%):

Soma antes do ICMS = R$ 27.500 + R$ 5.500 + R$ 4.950 + R$ 577,50 + R$ 2.653,75 = R$ 41.181,25

ICMS = R$ 41.181,25 ÷ (1 – 0,18) × 0,18 = R$ 41.181,25 ÷ 0,82 × 0,18 = R$ 9.039,43

Resumo das alíquotas

Tributo Base de Cálculo Alíquota (exemplo) Incide sobre
II Valor Aduaneiro (CIF em R$) 20% Valor Aduaneiro
IPI VA + II 15% VA + II
PIS-Importação Valor Aduaneiro 2,1% Valor Aduaneiro
COFINS-Importação Valor Aduaneiro 9,65% Valor Aduaneiro
ICMS VA + II + IPI + PIS + COFINS 18% (SP) Por dentro (inclui o próprio ICMS)

Nota: alíquotas variam por NCM e por estado. Sempre confirme com seu despachante e contador antes de fechar o pedido.


3. Frete internacional e nacional: o custo que todo mundo subestima

Tem um padrão claro nos erros de precificação de importadores iniciantes: o frete nacional entra na conta como uma estimativa otimista ou, pior, não entra. Quando o produto sai do porto de Santos e precisa chegar ao seu depósito em Goiânia ou Manaus, o custo do frete interno pode ser maior que o frete marítimo internacional.

Frete marítimo: variáveis que importam

O custo do frete marítimo da China para o Brasil depende de quatro fatores principais:

  • Volume (CBM): Para cargas LCL (groupage), o custo por CBM varia entre US$ 60 e US$ 180 da China para Santos, incluindo as taxas de origem.
  • Peso: O frete é calculado pelo maior entre o peso real e o peso cubado (volume × 167 para maritimo). Para produtos leves e volumosos, o peso cubado domina.
  • Rota e armador: Rotas diretas são mais baratas e rápidas. Transbordos em portos como Singapura ou Roterdã aumentam o tempo e muitas vezes o custo.
  • Sazonalidade: O mercado de frete marítimo é volátil. No período pré-Natal e nos meses de janeiro-fevereiro (quando as fábricas chinesas reabrem após o Ano Novo Lunar), os fretes sobem significativamente.

Frete aéreo: quando compensa

O frete aéreo compensa quando: (1) o produto tem alto valor por quilo e baixo peso, (2) a demanda é urgente e o custo do atraso é maior que o custo adicional do frete, ou (3) você está testando um produto em pequena quantidade antes de fazer um pedido maior. Para a maioria dos produtos de consumo com peso acima de 2 kg por unidade, o frete aéreo inviabiliza a margem.

Frete nacional: o vilão esquecido

Depois do desembaraço alfandegário em Santos (ou no porto/aeroporto de entrada), a mercadoria precisa chegar ao seu depósito ou ao endereço do cliente. Esse frete nacional é calculado sobre o peso ou volume, e os valores variam enormemente por região.

  • Santos → São Paulo capital: R$ 150 a R$ 400 por palete
  • Santos → Belo Horizonte: R$ 500 a R$ 900 por palete
  • Santos → Porto Alegre: R$ 600 a R$ 1.200 por palete
  • Santos → Manaus: R$ 1.500 a R$ 3.500 por palete (rota terrestre-fluvial)

Para um importador que vende direto ao consumidor final com frete por conta do cliente, o frete nacional entra como custo fixo operacional. Para quem vende para distribuidores com frete CIF (incluso no preço), é custo direto de venda.

Como estimar o custo de frete por unidade

A forma correta de incorporar o frete ao custo unitário é: dividir o custo total de frete (internacional + nacional) pelo número de unidades importadas. Se você importou 5.000 unidades e o frete total foi R$ 8.000, o custo de frete por unidade é R$ 1,60.

Esse valor entra na planilha de custo unitário e vai compor a base do seu markup. Ignorar essa etapa ou subestimar o frete é o erro número um na formação de preço de importados.


4. Como calcular o markup correto para produto importado

Markup não é margem. Essa confusão destrói mais negócios do que qualquer outro erro de precificação. Vamos resolver isso de vez.

Markup versus margem: a diferença que muda tudo

Markup é o percentual aplicado sobre o custo para chegar ao preço de venda.

Margem é o percentual do lucro em relação ao preço de venda.

Se você compra um produto por R$ 100 e vende por R$ 150:

  • Markup = (150 – 100) / 100 = 50%
  • Margem = (150 – 100) / 150 = 33,3%

Um importador que “coloca 50% de markup” pensando que vai ter 50% de margem está errado. A margem real é 33,3%. Se os custos operacionais consumirem 25%, o lucro líquido é 8,3% — não os 25% que ele esperava.

O markup do importador precisa cobrir mais do que o custo do produto

O markup de um produto importado precisa cobrir, além do custo direto de importação:

  • Custos operacionais fixos: aluguel de depósito, salários, contador, sistema de gestão, marketing, etc. Rateados por unidade vendida.
  • Custos de venda: comissão de marketplace (Mercado Livre, Amazon: 11% a 16%), taxa de cartão de crédito (2% a 5%), antecipação de recebíveis.
  • Impostos sobre venda: Simples Nacional (6% a 19% dependendo do Anexo e faixa de faturamento), ou IRPJ/CSLL no Lucro Presumido, ISS se houver.
  • Inadimplência e devoluções: uma provisão de 2% a 5% dependendo do canal de venda.
  • Lucro desejado: o percentual de retorno sobre o investimento que justifica o risco do negócio.

Fórmula do markup para importados

A fórmula básica do markup é:

Markup = 100 / (100 – (custos percentuais + lucro desejado))

Onde custos percentuais incluem impostos sobre venda, comissões de canal, devoluções e custos operacionais como percentual da receita.

Exemplo: Impostos (Simples Nacional Anexo I) = 8%, Comissão Marketplace = 13%, Frete para cliente = 5%, Devoluções = 3%, Custos operacionais = 12%, Lucro desejado = 15%.

Total percentual = 8 + 13 + 5 + 3 + 12 + 15 = 56%

Markup = 100 / (100 – 56) = 100 / 44 = 2,27

Ou seja, o preço de venda deve ser pelo menos 2,27 vezes o custo total de importação por unidade.


5. Fórmula de precificação passo a passo

Agora vamos montar o processo completo, do FOB ao preço de venda, em passos sequenciais que você pode replicar em qualquer planilha.

Passo 1: Calcule o Custo CIF em USD

CIF (USD) = FOB (USD) + Frete Internacional (USD) + Seguro (USD)

Passo 2: Converta para Reais

CIF (BRL) = CIF (USD) × Taxa de Câmbio

Use sempre uma taxa conservadora. Se a cotação está R$ 5,50, precifique com R$ 5,70 para ter colchão.

Passo 3: Calcule os tributos de importação

VA = CIF (BRL) — este é o Valor Aduaneiro

II = VA × alíquota II

IPI = (VA + II) × alíquota IPI

PIS = VA × 2,1%

COFINS = VA × 9,65%

Base ICMS = VA + II + IPI + PIS + COFINS

ICMS = Base ICMS ÷ (1 – alíquota ICMS) × alíquota ICMS

Passo 4: Some todos os custos diretos

Custo Total Desembaraçado = VA + II + IPI + PIS + COFINS + ICMS + Despachante + Taxas Portuárias + Frete Nacional

Passo 5: Calcule o custo unitário

Custo Unitário = Custo Total Desembaraçado ÷ Número de Unidades

Passo 6: Aplique o markup

Preço de Venda = Custo Unitário × Markup

Passo 7: Valide contra o mercado

Pesquise o preço de mercado do produto. Se o seu preço calculado for maior que o preço de mercado, você tem três opções: negociar melhor o FOB, reduzir custos operacionais, ou desistir desse produto. Nunca sacrifique a margem porque o mercado “impõe” um preço que não cobre seus custos — esse caminho leva à falência lenta.


6. Simulação prática: produto importado a US$ 5 FOB — qual o preço final de venda?

Vamos fazer a simulação completa com números reais. O produto: acessório eletrônico (NCM 8517.62.41), FOB US$ 5,00 por unidade, pedido de 1.000 unidades.

Premissas da simulação

  • FOB unitário: US$ 5,00
  • Pedido: 1.000 unidades
  • FOB total: US$ 5.000
  • Frete internacional (LCL, 0,5 CBM): US$ 350
  • Seguro: US$ 30 (0,5% do CIF aproximado)
  • Câmbio: R$ 5,50/USD
  • II: 20%
  • IPI: 15%
  • PIS-Importação: 2,1%
  • COFINS-Importação: 9,65%
  • ICMS (SP): 18%
  • Despachante: R$ 1.500
  • Taxas portuárias/armazenagem: R$ 800
  • Frete nacional (Santos → São Paulo): R$ 400

Passo a passo do cálculo

CIF em USD: US$ 5.000 + US$ 350 + US$ 30 = US$ 5.380

Valor Aduaneiro (BRL): US$ 5.380 × R$ 5,50 = R$ 29.590,00

II (20%): R$ 29.590 × 20% = R$ 5.918,00

Base IPI: R$ 29.590 + R$ 5.918 = R$ 35.508

IPI (15%): R$ 35.508 × 15% = R$ 5.326,20

PIS (2,1%): R$ 29.590 × 2,1% = R$ 621,39

COFINS (9,65%): R$ 29.590 × 9,65% = R$ 2.855,44

Base ICMS: R$ 29.590 + R$ 5.918 + R$ 5.326,20 + R$ 621,39 + R$ 2.855,44 = R$ 44.311,03

ICMS (18% por dentro): R$ 44.311,03 ÷ 0,82 × 0,18 = R$ 9.727,06

Custo total desembaraçado

Item Valor (R$) % do Total
Valor Aduaneiro (CIF) R$ 29.590,00 42,9%
Imposto de Importação (II) R$ 5.918,00 8,6%
IPI R$ 5.326,20 7,7%
PIS-Importação R$ 621,39 0,9%
COFINS-Importação R$ 2.855,44 4,1%
ICMS R$ 9.727,06 14,1%
Despachante R$ 1.500,00 2,2%
Taxas portuárias R$ 800,00 1,2%
Frete nacional R$ 400,00 0,6%
TOTAL R$ 56.738,09 100%

Custo unitário e preço de venda

Custo unitário desembaraçado: R$ 56.738,09 ÷ 1.000 unidades = R$ 56,74 por unidade

O produto que você comprou por US$ 5,00 (R$ 27,50 na cotação de R$ 5,50) chegou ao seu estoque custando R$ 56,74 — mais do que o dobro do valor em reais do FOB. Essa é a realidade da importação no Brasil.

Aplicando o markup

Usando o exemplo de markup 2,27 calculado anteriormente (que cobre impostos sobre venda, marketplace, devoluções, operacional e lucro):

Preço de venda sugerido: R$ 56,74 × 2,27 = R$ 128,80

Arredondando para R$ 129,90 (psicologia de preços).

Agora vá ao Mercado Livre e pesquise o produto similar. Se você encontrar concorrência abaixo de R$ 100, o produto não tem viabilidade nesse canal com esse fornecedor — e você precisa saber disso antes de fazer o pedido, não depois.

Plataformas como o JoomPro permitem que você pesquise fornecedores e compare preços FOB de múltiplos fabricantes antes de decidir, o que é essencial para encontrar a faixa de custo que viabiliza a operação.


7. Erros que destroem a margem do importador

Depois de acompanhar dezenas de operações de importação, alguns erros aparecem com frequência preocupante. Eles não são sofisticados — são básicos, e é exatamente por isso que persistem.

Erro 1: Usar o câmbio do dia para precificar

O câmbio que vai ser usado no desembaraço é o da data de registro da Declaração de Importação, não o da data do pedido. Entre o pedido e a DI podem passar 45, 60, 90 dias. Precificar com o câmbio do dia do pedido sem nenhuma margem de segurança é apostar contra o tempo.

Erro 2: Não incluir o ICMS no cálculo

O ICMS na importação é calculado por dentro (sobre ele mesmo) e isso faz com que a alíquota real seja maior que a nominal. Em SP, a alíquota de 18% representa na prática cerca de 21,95% sobre a base antes do ICMS. Muita gente calcula o ICMS por fora (simplesmente multiplica 18%) e subestima o custo em 3 a 4 pontos percentuais.

Erro 3: Ignorar o custo de capital

O dinheiro que você coloca em um pedido de importação fica imobilizado por 60 a 120 dias entre o pagamento ao fornecedor e o recebimento das vendas. Esse capital tem custo — seja o custo do seu capital de giro (se você usa recursos próprios) ou os juros do financiamento. Um capital de R$ 50.000 imobilizado por 90 dias a um custo de 1,5% ao mês representa R$ 2.280 de custo financeiro que raramente entra no cálculo.

Erro 4: Esquecer da inadimplência e das devoluções

Todo canal de venda tem uma taxa de devoluções e inadimplência. No e-commerce brasileiro, a taxa de devolução em categorias como eletrônicos e moda pode chegar a 8% a 12%. Se você não provisionar esse custo, está subsidiando compradores insatisfeitos com a sua margem.

Erro 5: Precificar sem considerar o regime tributário

Uma empresa no Simples Nacional Anexo I (comércio) na faixa de R$ 360.000 a R$ 720.000 de faturamento paga 7,3% de DAS. Mas uma empresa que cresceu e passou para a faixa de R$ 1,8 milhão a R$ 3,6 milhões paga 11,2%. Se você precificou com 7,3% e cresceu para a faixa seguinte sem ajustar os preços, sua margem encolheu automaticamente.

Erro 6: Não reavaliar o preço quando o câmbio muda

Muitos importadores definem o preço de venda uma vez e não revisam. Quando o câmbio sobe 15% em seis meses, o custo de importação sobe junto, mas os preços nas plataformas continuam os mesmos. Resultado: a operação vai sangrar até o importador perceber — ou até acabar o estoque antigo e a realidade bater na hora de repor.

Erro 7: Subestimar o preço de venda do concorrente

Antes de importar qualquer produto, passe pelo menos uma semana estudando a concorrência. Levante os preços praticados nos principais canais, estime o custo de importação dos seus concorrentes (muitas vezes você consegue descobrir o fornecedor deles pesquisando em plataformas B2B), e entenda se tem espaço de margem nesse mercado antes de entrar.

O JoomPro oferece acesso direto a fabricantes verificados na China, com histórico de transações e capacidade produtiva declarada — o que ajuda a entender melhor o piso de custo do mercado antes de comprometer capital.


Está pronto para importar com números que fecham?

Antes de fechar qualquer pedido com fornecedor chinês, você precisa ter o cálculo completo do custo de importação na mão. Use a simulação deste artigo como base — e para encontrar fornecedores confiáveis com preços FOB competitivos, o JoomPro conecta importadores brasileiros diretamente a fabricantes verificados na China.

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8. FAQ — Perguntas frequentes sobre precificação de produto importado

Como saber a alíquota de II (Imposto de Importação) do meu produto?

A alíquota do II é definida pela NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) do produto. Você pode consultar a TEC (Tarifa Externa Comum) no portal do Ministério da Fazenda ou na plataforma do Siscomex. Cada NCM tem uma alíquota específica, e classificar corretamente o produto é fundamental — tanto para calcular o imposto certo quanto para evitar autuações aduaneiras. Produtos com NCM errada podem ter o desembaraço negado ou gerar multas.

O Simples Nacional isenta o importador dos tributos de importação?

Não. O Simples Nacional é um regime de tributação simplificado para impostos federais, estaduais e municipais sobre a receita da empresa. Ele não afeta os tributos de importação (II, IPI, PIS-Importação, COFINS-Importação e ICMS na importação), que são devidos por qualquer importador, independentemente do regime tributário. A vantagem do Simples Nacional aparece nos impostos sobre a venda, não sobre a importação.

Posso importar pelo CPF (pessoa física) para economizar?

Importar pelo CPF é possível para uso próprio, mas é inadequado para fins comerciais. Pessoas físicas não têm RADAR Siscomex habilitado para importações comerciais, não podem usar regimes especiais de drawback ou repetro, e não podem creditar o IPI e o ICMS pago na entrada. Além disso, a Receita Federal monitora operações repetitivas de importação por pessoa física e pode caracterizar atividade empresarial irregular, com implicações tributárias e penalidades.

Como o câmbio do fechamento (câmbio contratado) difere do câmbio da DI?

O câmbio para pagamento ao fornecedor estrangeiro (câmbio contratado) é negociado com o banco ou corretora de câmbio no momento da remessa. O câmbio para cálculo dos tributos de importação é a taxa PTAX do Banco Central na data de registro da Declaração de Importação (DI). São dois câmbios distintos, e ambos precisam entrar no seu cálculo de custo. O câmbio da DI impacta diretamente o valor dos tributos devidos. Em períodos de alta volatilidade cambial, a diferença entre os dois pode ser significativa.

Existe algum produto que não paga II ao importar da China?

Sim. Vários produtos têm alíquota de II zerada na TEC, especialmente bens de capital (máquinas e equipamentos industriais) e insumos específicos. Além disso, o Brasil possui acordos de preferência tarifária no âmbito do Mercosul (com países membros e associados), mas esses acordos não se aplicam à China. Para produtos de origem chinesa, a alíquota aplicável é sempre a TEC geral, sem qualquer preferência tarifária, salvo regimes especiais específicos.


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Conclusão: o preço certo é o que fecha — não o que você quer

Precificar produto importado corretamente não é uma habilidade opcional para quem quer importar com consistência. É a diferença entre um negócio que cresce e um que sangra lentamente até o empreendedor desistir achando que “importar não funciona para ele”.

O que não funciona é precificar no achismo. O que funciona é o método: custo CIF em reais, tributos calculados em cascata, markup que cobre todos os custos de venda e operação, e validação contra o preço de mercado antes do pedido.

Faça a simulação com os seus números, com a sua NCM, com o câmbio conservador e com o regime tributário da sua empresa. Se o preço calculado é competitivo no mercado, o produto tem viabilidade. Se não é, não adianta torcer — é hora de buscar um fornecedor com FOB mais baixo ou um produto diferente.

A disciplina na formação de preço é o que separa importadores que constroem negócios sólidos dos que ficam sempre na correria para cobrir custos que não calcularam direito.

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