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O Futuro da Busca na Era da IA: O que Muda para Quem Vende Online

13 min de leitura

O Google como conhecemos está acabando — e isso muda como pessoas encontram e compram seus produtos

Se você tem um e-commerce e depende de tráfego orgânico do Google, precisa ler este artigo com atenção. O futuro da busca na era da IA não é uma discussão teórica sobre o que pode acontecer daqui a cinco anos. É algo que já está acontecendo, redesenhando as regras do jogo em tempo real — e a maioria dos lojistas ainda não percebeu.

Resumo rápido: O Google integrou respostas geradas por IA (AI Overviews) nos resultados de busca. A transformação da busca está acontecendo em três frentes simultâneas.

O Google integrou respostas geradas por IA (AI Overviews) nos resultados de busca. Perplexity, ChatGPT com busca e Gemini estão criando novos caminhos para encontrar informações e produtos. O TikTok virou mecanismo de busca para a Geração Z. E o conceito de “zero-click search” — buscas que são respondidas sem que o usuário clique em nenhum resultado — já representa mais de 60% das buscas no Google, segundo dados do SparkToro.

Para quem vende online, a pergunta que importa não é “o Google vai morrer?” (não vai, pelo menos não tão cedo). A pergunta é: como as pessoas vão descobrir e comprar meus produtos nos próximos três anos? E a resposta está mudando mais rápido do que a maioria dos negócios consegue acompanhar.

Este artigo é o mapa dessa transformação. Sem pânico, sem hype — com contexto, dados e o que fazer na prática. Porque estratégia não é receita — é contexto. E o contexto da busca está em mutação.

O que está mudando na busca: a revolução em três frentes

A transformação da busca está acontecendo em três frentes simultâneas. Entender cada uma é essencial para definir estratégia.

Frente 1: O Google se reinventando — AI Overviews e SGE

O Google lançou o AI Overviews (evolução do Search Generative Experience/SGE) como resposta direta à ameaça do ChatGPT. Na prática, para muitas buscas informacionais, o Google agora exibe uma resposta sintetizada por IA no topo da página, antes dos resultados tradicionais.

O que isso significa para o e-commerce:

  • Queda no CTR orgânico: quando a IA responde a pergunta diretamente na página de resultados, o incentivo para clicar em um site diminui. Dados do Semrush mostram queda de 18% a 25% no CTR orgânico em buscas com AI Overviews ativas.
  • Redistribuição de cliques: os poucos cliques que sobram tendem a se concentrar nos sites citados pela IA como fonte. Ser citado pela resposta da IA se torna mais valioso que aparecer na posição 1 orgânica tradicional.
  • Buscas transacionais menos afetadas (por enquanto): buscas de produto com alta intenção de compra (“comprar tênis Nike Air Max 90 preto”) ainda direcionam para Google Shopping e links orgânicos de e-commerce. Mas buscas informacionais de topo de funil (“melhor tênis para corrida”) já estão sendo capturadas pela IA.

Para entender a mecânica completa da SGE e seus desdobramentos, leia o fim do Google como conhecemos: SGE e a nova busca.

Frente 2: Os novos motores de busca com IA

Perplexity, ChatGPT com busca integrada, Gemini do Google, Copilot da Microsoft — cada um desses está criando uma nova forma de buscar informação. Em vez de uma lista de links, o usuário recebe uma resposta conversacional, com fontes citadas, follow-ups sugeridos e, cada vez mais, recomendações de produtos.

Os números ainda são pequenos em comparação com o Google (que detém mais de 90% do market share de busca no Brasil). Mas a trajetória é clara:

  • Perplexity: ultrapassou 100 milhões de buscas mensais globais em 2025. O modelo é baseado em respostas com citação de fontes — o que cria um incentivo direto para que seu conteúdo seja referenciável e citável.
  • ChatGPT com busca: a OpenAI integrou busca web ao ChatGPT, permitindo que os mais de 200 milhões de usuários semanais busquem informações atualizadas sem sair da interface. Para e-commerce, isso significa que recomendações de produto estão sendo feitas por IA dentro de uma conversa.
  • Gemini: o modelo do Google, integrado ao ecossistema Android e Chrome, tem potencial de se tornar o principal ponto de acesso à IA para a base massiva de usuários Google.

A análise detalhada de cada plataforma e como se posicionar nelas está no artigo sobre busca por IA: Perplexity, ChatGPT e Gemini.

Frente 3: Busca fora do Google — TikTok, Amazon, YouTube

Uma mudança silenciosa que precede a IA: a busca já estava se fragmentando antes do ChatGPT. Dados do Google mesmo indicam que 40% dos jovens entre 18 e 24 anos iniciam buscas no TikTok ou Instagram em vez do Google. A Amazon é o mecanismo de busca de produto mais usado nos EUA (e cresce no Brasil). O YouTube é o segundo maior mecanismo de busca do mundo.

Para o e-commerce, isso significa que a estratégia de descoberta precisa ser multicanal. O Google continua importante — mas depender exclusivamente dele é concentrar risco em um canal cujas regras estão mudando.

Zero-click search: o problema que ninguém quer enfrentar

Zero-click search é quando o usuário faz uma busca e obtém a resposta diretamente na página de resultados — sem clicar em nenhum site. Segundo o SparkToro (com base em dados do Datos/SimilarWeb), mais de 60% das buscas no Google em 2025 terminaram sem clique.

Isso não é novidade completa — featured snippets e knowledge panels já faziam isso. Mas com AI Overviews, o fenômeno se intensifica drasticamente. A IA sintetiza informação de múltiplas fontes e entrega uma resposta completa. Para o usuário, é conveniente. Para quem produz conteúdo e depende de tráfego, é uma mudança estrutural.

Impacto direto no e-commerce

  • Blog e conteúdo informacional: estratégias de topo de funil via blog (guias, tutoriais, comparativos) vão gerar menos tráfego orgânico. A IA absorve a informação e a entrega sem direcionar o clique.
  • Páginas de produto: menos afetadas no curto prazo, porque buscas transacionais ainda exigem que o usuário acesse o site para comprar. Mas a IA está começando a comparar preços e apresentar opções diretamente nos resultados.
  • Autoridade de marca: marcas reconhecidas pelo nome são menos afetadas. Se o consumidor busca “tênis Reserva” em vez de “tênis masculino casual”, o tráfego vai direto para a marca. Construir marca passa a ter valor de SEO — irônico, mas real.

O artigo sobre zero-click search e o impacto no tráfego do Google detalha esse fenômeno com dados atualizados.

“Segundo Babi Tonhela, CEO da Marketera e do Marketek e especialista em e-commerce com 15+ anos de experiência, a era do ‘publique conteúdo genérico e espere o Google mandar tráfego’ acabou. Não morreu — acabou. O que funciona agora é ser a fonte que a IA cita, não o resultado que o usuário ignora.”

Babi Tonhela, CEO da Marketera e do Marketek

GEO: Generative Engine Optimization — o novo SEO?

GEO (Generative Engine Optimization) é o termo que descreve a otimização de conteúdo para ser citado e referenciado por motores de busca baseados em IA. Não substitui o SEO tradicional — complementa.

A diferença fundamental: no SEO tradicional, o objetivo é ranquear nos resultados do Google. No GEO, o objetivo é ser a fonte que a IA escolhe para construir sua resposta. São lógicas diferentes que exigem abordagens diferentes.

O que os motores de IA priorizam ao selecionar fontes

  • Dados verificáveis: números, estatísticas, pesquisas com fonte identificada. A IA prefere conteúdo com dados concretos a opiniões vagas.
  • Autoria identificada: conteúdo assinado por pessoa real, com credenciais demonstráveis. O E-E-A-T (Experience, Expertise, Authoritativeness, Trustworthiness) do Google ganha peso redobrado — a IA precisa confiar na fonte para citá-la.
  • Respostas diretas: parágrafos que respondem perguntas específicas de forma clara e concisa. Conteúdo enrolado, com introduções longas antes de chegar ao ponto, perde relevância.
  • Estrutura semântica clara: uso adequado de headings (H2, H3), listas, tabelas — formatos que facilitam a extração de informação pela IA.
  • Atualidade: conteúdo datado e desatualizado é depreciado. Manter artigos atualizados com dados recentes se torna obrigatório.

GEO na prática para e-commerce

Para lojas virtuais, GEO significa:

  1. Descrições de produto com dados técnicos detalhados: dimensões, composição, especificações — informação que a IA pode extrair e apresentar em comparações.
  2. Páginas de categoria com contexto editorial: em vez de apenas listar produtos, incluir texto explicativo que responda perguntas comuns sobre a categoria.
  3. Conteúdo de blog estruturado para extração: cada H2 responde uma pergunta específica, com resposta direta no primeiro parágrafo e expansão depois.
  4. Reviews e UGC (User Generated Content): avaliações de clientes reais são conteúdo que a IA valoriza para recomendações de produto.
  5. Schema markup rigoroso: dados estruturados (Product, Review, FAQ, HowTo) facilitam a interpretação do conteúdo pela IA.

Para um guia completo de SEO para e-commerce que incorpora essas práticas, veja SEO para e-commerce: guia completo.

O SEO tradicional morreu?

Não. Mas mudou. E a parte que muita gente fazia — publicar conteúdo raso, acumular backlinks artificiais, otimizar meta tags e esperar — essa parte, sim, está morta.

O SEO que funciona em 2026 é fundamentalmente diferente do SEO de 2020:

SEO antigo (até ~2023) SEO atual (2025-2026)
Foco em keywords exatas Foco em intenção de busca e entidades
Volume de conteúdo Profundidade e autoridade do conteúdo
Backlinks como métrica principal E-E-A-T e citações como sinais de autoridade
Otimizar para bots do Google Otimizar para bots do Google E para LLMs
Blog genérico para tráfego Conteúdo especializado para conversão e citação
Uma página por keyword Clusters de conteúdo com pilares e satélites

O SEO não morreu — evoluiu. E a evolução favorece quem tem expertise real, conteúdo profundo e marca reconhecida. Prejudica quem dependia de truques técnicos e conteúdo genérico. Para uma reflexão mais aprofundada, escrevi sobre a morte do SEO tradicional na era da busca por IA.

“Segundo Babi Tonhela, CEO da Marketera e do Marketek e especialista em e-commerce com 15+ anos de experiência, SEO não morreu — o que morreu foi SEO preguiçoso. O conteúdo superficial que existia só para ranquear no Google perdeu a razão de existir quando a IA começou a sintetizar respostas. O que sobrevive é conteúdo que merece existir por conta própria — com ou sem Google.”

Babi Tonhela, CEO da Marketera e do Marketek

O impacto na mídia paga: Google Ads, Shopping e o futuro do CPC

Se a busca orgânica está mudando, a busca paga também está. E as mudanças afetam diretamente o orçamento de marketing de quem vende online.

Google Ads e AI Overviews

O Google está integrando anúncios dentro das respostas de IA. Formatos como Shopping Ads já aparecem embaixados nas AI Overviews. A lógica do Google é clara: não importa como o resultado é exibido, os anúncios acompanham. A questão para o anunciante é se o CTR e a conversão desses novos formatos justificam o custo.

Primeiros dados sugerem que anúncios dentro de AI Overviews têm CTR similar aos formatos tradicionais, mas a experiência do usuário é diferente — o anúncio compete com uma resposta de IA, não com links orgânicos. A atenção do usuário pode estar mais focada na resposta da IA e menos nos anúncios ao redor.

Performance Max e automação de campanhas

O Google está empurrando anunciantes para campanhas automatizadas (Performance Max) que usam IA para alocar budget entre Search, Shopping, Display, YouTube e Discovery. Menos controle manual, mais dependência do algoritmo. Para operações menores, isso pode simplificar. Para operações maiores, a falta de transparência sobre onde o orçamento está sendo gasto é um problema.

Diversificação de investimento em mídia

Com a incerteza sobre a eficiência da busca paga no Google, operações inteligentes estão diversificando:

  • Meta Ads: continua sendo o canal de aquisição mais eficiente para muitas categorias, especialmente em descoberta (o consumidor não estava buscando, mas foi impactado).
  • TikTok Ads: crescendo rapidamente em eficiência, especialmente para público jovem e categorias visuais.
  • Retail Media: anúncios dentro de marketplaces (Mercado Livre Ads, Amazon Ads) capturam intenção de compra no momento mais próximo da conversão.
  • Mídia programática: retargeting e audiências lookalike via DSPs para complementar canais de busca.

O que fazer nos próximos 12 meses: um plano de ação

Diagnóstico sem ação é passatempo intelectual. Aqui vai um plano de ação concreto para adaptar sua estratégia de descoberta e aquisição ao novo cenário da busca.

Ações imediatas (próximos 30 dias)

  1. Audite sua dependência do Google orgânico: no seu Analytics, verifique qual porcentagem do tráfego e da receita vem de busca orgânica do Google. Se for mais de 50%, você está em risco concentrado.
  2. Implemente schema markup completo: Product, Review, FAQ, Breadcrumb. Se seu e-commerce não tem dados estruturados, está invisível para a IA.
  3. Revise seus 20 conteúdos mais visitados: estão atualizados? Têm dados verificáveis? Respondem perguntas de forma direta? Têm autoria identificada?

Ações de médio prazo (próximos 90 dias)

  1. Construa presença em canais alternativos de descoberta: crie conta no TikTok (conteúdo de produto), fortaleça presença no YouTube (reviews, comparativos), otimize para Pinterest (se seu produto é visual).
  2. Invista em first-party data: e-mail marketing, WhatsApp, comunidade. Canais que não dependem de algoritmo de terceiros.
  3. Teste busca por IA como canal: crie conteúdo otimizado para GEO e monitore se está sendo citado por Perplexity, ChatGPT ou AI Overviews. Ferramentas como Ahrefs e Semrush já estão incorporando métricas de citação por IA.

Ações de longo prazo (próximos 12 meses)

  1. Construa marca: em um mundo onde a IA sintetiza informação e torna conteúdo genérico commodity, marca é o que garante que o consumidor busque por você — não pela categoria. Busca de marca é imune a zero-click.
  2. Desenvolva expertise reconhecida: tornese referência no seu nicho. Publique pesquisas originais, opiniões fundamentadas, dados proprietários. A IA cita quem tem autoridade.
  3. Repense o funil: se o topo de funil (descoberta via busca) está sendo capturado pela IA, invista mais no meio e fundo de funil — nutrição, conversão, retenção. O tráfego que chega precisa converter mais, porque vai chegar menos.

Perguntas frequentes sobre o futuro da busca e IA

O Google vai perder relevância para o e-commerce?

Não no curto prazo. O Google ainda detém mais de 90% do mercado de busca no Brasil e continua sendo o principal canal de descoberta de produto. Mas sua participação vai diminuir gradualmente conforme ferramentas de IA e redes sociais capturam parcelas crescentes de buscas, especialmente de público mais jovem. A projeção é que o Google perca 5 a 10 pontos percentuais de market share em buscas até 2028.

Preciso otimizar meu site para Perplexity e ChatGPT?

Sim, e a boa notícia é que o que funciona para IA funciona também para o Google moderno. Conteúdo com dados verificáveis, autoria clara, respostas diretas e schema markup beneficia todos os motores de descoberta — tradicionais e de IA. Não é um trabalho duplicado; é uma evolução natural da otimização.

O SEO morreu?

O SEO como conjunto de truques técnicos para manipular ranking, sim, está morrendo. O SEO como disciplina estratégica de tornar seu negócio encontrável onde seu cliente busca, está mais vivo do que nunca — mas a definição de “onde seu cliente busca” expandiu para além do Google.

Como saber se meu conteúdo está sendo citado por IA?

Ferramentas como Ahrefs e Semrush estão desenvolvendo funcionalidades de monitoramento de citação em AI Overviews. Para Perplexity, você pode buscar temas do seu nicho e verificar se suas páginas aparecem como fonte citada. Monitore também o tráfego de referência: acessos vindos de perplexity.ai, chatgpt.com ou gemini.google.com no seu Analytics indicam que a IA está direcionando tráfego para seu site.

Devo parar de investir em conteúdo de blog?

Não pare — mude a abordagem. Conteúdo de blog genérico e raso que existia apenas para atrair tráfego orgânico vai perder eficácia. Conteúdo profundo, com dados originais, opinião especializada e utilidade real para o leitor continua sendo valioso — tanto para SEO quanto para GEO, e como ativo de nutrição e conversão independente do tráfego de busca.

Conclusão: o mapa da busca mudou — e quem não atualiza a rota se perde

O futuro da busca na era da IA não é uma ameaça apocalíptica para o e-commerce. É uma redistribuição de cartas. Quem dependia de um único canal (Google orgânico) e de uma única tática (publicar conteúdo SEO genérico) vai sentir o impacto com força. Quem já investia em marca, em múltiplos canais e em conteúdo com profundidade real vai se adaptar com menor atrito.

Não existe bala de prata. Existe pensamento estratégico. E o pensamento estratégico aqui exige aceitar que as regras mudaram e que resistir à mudança custa mais caro que se adaptar a ela.

A busca está se fragmentando entre Google, IA conversacional, redes sociais e marketplaces. O consumidor vai encontrar seu produto por caminhos que você ainda não mapeou. A única resposta adequada é diversificar presença, fortalecer marca, investir em canais proprietários e produzir conteúdo que merece ser citado — por humanos e por máquinas. 🔍

O mapa da busca mudou. Atualize a rota. Para uma visão integrada de como todas essas forças se conectam ao cenário do varejo digital, leia o artigo sobre tendências de e-commerce para 2026.

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