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De Workshop a Operação: Como Empresas Saíram do Zero ao Digital em 90 Dias

7 min de leitura

90 dias é tempo suficiente para sair do zero ao digital funcional — se você souber o que priorizar

Existe uma narrativa perigosa no mercado de transformação digital: a de que digitalizar uma empresa é um projeto de 18 meses, R$ 2 milhões e uma consultoria de Big Four. Essa narrativa serve a quem vende projetos longos e caros. Não serve a quem precisa vender online antes que o mercado engula a empresa.

Resumo rápido: As empresas que encontro com zero presença digital em 2025 não são tecnofóbicas. Não operações sofisticadas com machine learning e personalização em tempo real.

Nos últimos anos, acompanhei empresas que saíram literalmente de zero presença digital — nenhum e-commerce, nenhum canal online, vendas 100% offline — para uma operação digital funcional em 90 dias ou menos. Não operações sofisticadas com machine learning e personalização em tempo real. Operações básicas, funcionais, que geram receita e aprendizado.

O denominador comum dessas empresas? Todas passaram por algum tipo de workshop ou imersão intensiva que desbloqueou a ação. Não meses de planejamento — dias de imersão seguidos de execução disciplinada.

O problema não é tecnologia. É paralisia por análise

As empresas que encontro com zero presença digital em 2025 não são tecnofóbicas. São empresas que ficaram presas em um ciclo de pesquisa sem fim: qual plataforma? Qual ERP? Precisamos de app? E o marketplace? E a logística? E o SAC? Cada pergunta gera dez novas perguntas, e a decisão nunca é tomada.

Como discutimos em por que a transformação digital para no PowerPoint, o problema raramente é falta de informação — é excesso de informação sem framework de priorização.

O que workshops intensivos fazem — quando bem desenhados — é comprimir o ciclo de decisão. Em vez de meses pesquisando plataformas, 4 horas analisando as 3 opções viáveis para aquele porte e setor. Em vez de semanas debatendo estratégia de canal, 2 horas com um framework de decisão que leva a uma resposta clara.

Padrão 1: A fabricante de móveis que vendeu R$ 180 mil no primeiro mês

Uma fabricante de móveis planejados de Minas Gerais. 35 anos de mercado, 200 funcionários, faturamento de R$ 40 milhões por ano — 100% via representantes comerciais e lojas próprias. Zero presença digital além de um site institucional de 2018.

Após um workshop intensivo focado em primeiros passos no digital, a empresa tomou três decisões em uma semana:

Decisão 1: Não construir e-commerce próprio imediatamente. Começar por marketplace (MadeiraMadeira e Mercado Livre) com 15 SKUs de menor complexidade logística — prateleiras, estantes e mesas de escritório.

Decisão 2: Usar o estoque existente da fábrica. Sem investimento em estoque dedicado para o digital — só SKUs com mais de 30 dias de cobertura no estoque regular.

Decisão 3: Designar uma pessoa (não contratar — realocar) para gerenciar o canal digital com 50% do tempo.

Investimento total: R$ 3.200 (fotos profissionais dos produtos + setup nos marketplaces). Tempo do workshop ao primeiro pedido online: 23 dias. Faturamento digital no primeiro mês completo: R$ 182 mil.

Segundo Babi Tonhela, “a maioria das empresas que quer ir para o digital comete o mesmo erro: tenta construir a versão perfeita antes de ter a versão funcional. O workshop mais valioso que posso dar a uma empresa sem presença digital é o que reduz o escopo do primeiro passo a algo tão pequeno que não dá para dizer não.”

Padrão 2: A distribuidora de EPIs que descobriu que já tinha audiência

Uma distribuidora de equipamentos de proteção individual do Paraná. 1.400 clientes ativos, todos atendidos por telefone e e-mail. O dono queria “fazer um e-commerce completo”. O orçamento de três agências girava em torno de R$ 150 mil a R$ 250 mil. O prazo: 6 a 8 meses.

No workshop, um exercício simples mudou tudo: mapear a jornada de compra atual dos clientes. Descoberta: 80% dos pedidos eram recompras dos mesmos produtos. Os clientes já sabiam o que queriam — só precisavam de um canal mais eficiente que ligar para o vendedor.

Solução implementada em 45 dias: um catálogo digital com pedido via WhatsApp Business integrado ao sistema de faturamento. Não era um e-commerce — era um facilitador de recompra. Custo: R$ 12 mil. Resultado em 60 dias: 42% dos pedidos migraram para o canal digital, liberando o time de vendas para prospecção de novos clientes. Ticket médio no digital: 18% maior que no telefone (porque o cliente via o catálogo completo e adicionava itens).

Para quem está nessa situação, nosso guia sobre como criar loja virtual do zero detalha os passos técnicos que vêm depois dessa decisão estratégica.

Padrão 3: A rede de clínicas que digitalizou o agendamento antes do e-commerce

Uma rede de clínicas veterinárias com 8 unidades em São Paulo. Queriam “vender ração e medicamentos online”. Era a meta declarada. No workshop, a análise de dados revelou que o maior gargalo não era vendas — era agendamento. A taxa de no-show (pacientes que agendavam e não iam) era de 28%. E o processo de agendamento era 100% por telefone, com fila de espera de 4 a 7 minutos.

Mudança de prioridade: em vez de e-commerce de produtos, implementaram agendamento online com confirmação automatizada por WhatsApp. Tempo de implementação: 18 dias. Custo: R$ 8 mil. Resultado em 90 dias: taxa de no-show caiu de 28% para 11%. Atendimentos mensais subiram 22% sem contratar mais veterinários — apenas otimizando a ocupação das agendas.

O e-commerce de produtos veio depois, 4 meses mais tarde, financiado pela receita incremental do melhor agendamento.

“A pergunta certa para uma empresa sem presença digital não é ‘como faço e-commerce?’. É ‘qual problema dos meus clientes eu posso resolver digitalmente esta semana?’. O e-commerce completo é consequência, não ponto de partida.”

— Babi Tonhela, CEO da Marketera e do Marketek

Os 5 princípios do zero ao digital em 90 dias

Consolidando os padrões dos cases que acompanhei, cinco princípios emergem:

1. Comece pelo problema, não pela solução. Não “precisamos de um e-commerce”. Sim “precisamos facilitar recompra” ou “precisamos reduzir no-show” ou “precisamos testar demanda para novos produtos”. O problema define a solução mínima viável.

2. Use o que já existe. Estoque existente, equipe existente, base de clientes existente. O digital não precisa ser uma operação paralela — pode (e deve) aproveitar os ativos que a empresa já tem.

3. Invista em velocidade, não em perfeição. Uma loja no marketplace rodando em 3 semanas ensina mais do que 6 meses de planejamento. Dados reais de clientes reais comprando (ou não comprando) são mais valiosos que qualquer estudo de mercado.

4. Designe um responsável com autonomia. Não um comitê. Uma pessoa com poder de decisão operacional e pelo menos 50% do tempo dedicado. Comitês de transformação digital são onde as boas ideias vão morrer.

5. Defina “sucesso” antes de começar. Não “sucesso = R$ 1 milhão por mês”. Sucesso para os primeiros 90 dias pode ser: “10 pedidos por semana com processo funcionando sem erro crítico”. Metas realistas geram momentum. Metas fantasiosas geram frustração.

Esses princípios são aprofundados em como estruturar workshops de transformação digital para equipes, e também são parte central dos workshops que acompanho sobre a transição de IA como acelerador de transformação digital em PMEs.

O papel do workshop nessa aceleração

Segundo Babi Tonhela, “o workshop funciona como compressor temporal. O que uma empresa levaria 3 a 6 meses para descobrir por tentativa e erro, um workshop bem estruturado entrega em 4 a 8 horas. Não porque o conteúdo é mágico — mas porque alguém que já viu centenas de empresas passarem pelo mesmo processo sabe atalhar as decisões que não precisam ser longas e aprofundar as que realmente importam.”

O valor não está em ensinar o que é e-commerce. Está em dizer: “para o seu setor, seu porte e seu momento, o caminho mais curto é esse. Ignore o resto por enquanto.”

Esse tipo de clareza elimina meses de paralisia. E meses de paralisia, em mercados que se movem rápido, podem significar a diferença entre liderar a digitalização do seu setor e correr atrás de quem já liderou.

Perguntas frequentes

Empresa sem ninguém de tecnologia consegue ir para o digital em 90 dias?

Sim. As ferramentas atuais não exigem equipe técnica para operação básica. Marketplaces, plataformas de e-commerce como Nuvemshop (25% OFF no 1º mês) e Shopify, ferramentas de automação de WhatsApp — tudo pode ser operado por profissionais de vendas ou marketing com treinamento adequado. O workshop serve justamente para capacitar quem já está na empresa.

Qual o investimento mínimo para sair do zero ao digital?

Entre R$ 3 mil e R$ 20 mil para o setup inicial, dependendo da complexidade. Se começar por marketplace, o investimento principal é em fotos de produto e cadastro. Se começar por e-commerce próprio, adicione plataforma (R$ 200 a R$ 800/mês) e configuração básica. O erro é achar que precisa de R$ 100 mil para começar.

90 dias é realista para qualquer tipo de empresa?

Para operação básica funcional, sim — na maioria dos casos. Empresas com regulamentação específica (farmacêutica, alimentos com registro na Anvisa) podem levar mais tempo pela burocracia regulatória. Mas mesmo nesses casos, 90 dias é suficiente para ter a estrutura pronta e aguardando liberação regulatória.

Como evitar que a operação digital morra após os primeiros 90 dias?

Três fatores sustentam a operação: um responsável dedicado (mesmo que parcialmente), métricas semanais visíveis para a liderança e reinvestimento do faturamento digital na própria operação. Operações que dependem de “boa vontade” sem responsável claro têm taxa de abandono de 60% no primeiro ano.

Quer levar essa transformação para o seu evento ou equipe? Conheça as palestras e workshops da Babi Tonhela → babitonhela.com/palestras

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